Título: Entre Irmãs
Autor: Frances De Pontes Peebles
Ano:2017
Editora: Arqueiro
Número de páginas:573
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Cortesia: Livro cedido pela Editora


SinopseGanhador do Prêmio de Ficção do Friends of American Writers e agora adaptado para o cinema, Entre irmãs é uma história de amor e lealdade, um romance arrebatador sobre a saga de uma família e de um país em transição.
Nos anos 1920, as órfãs Emília e Luzia são as melhores costureiras de Taquaritinga do Norte, uma pequena cidade de Pernambuco. Fora isso, não podiam ser mais diferentes.
Morena e bonita, Emília é uma sonhadora que quer escapar da vida no interior e ter um casamento honrado. Já Luzia, depois de um acidente na infância que a deixou com o braço deformado, passou a ser tratada pelos vizinhos como uma mulher que não serve para se casar e, portanto, inútil.
Um dia, chega a Taquaritinga um bando de cangaceiros liderados por Carcará, um homem brutal que, como a ave da caatinga, arranca os olhos de suas presas. Impressionado com a franqueza e a inteligência de Luzia, ele a leva para ser a costureira de seu bando.
Após perder a irmã, a pessoa mais importante de sua vida, Emília se casa e vai para o Recife. Ali, em meio à revolução que leva Getúlio Vargas ao poder, ela descobre que Luzia ainda está viva e é agora uma das líderes do bando de Carcará.
Sem saber em que Luzia se transformou após tantos anos vagando por aquela terra escaldante e tão impiedosa quanto os cangaceiros, Emília precisa aprender algo que nunca lhe foi ensinado nas aulas de costura: como alinhavar o fio capaz de uni-las novamente.



 Luzia e Emília são irmãs órfãs que vivem sob os cuidados de sua tia Sofia. Criadas em Taquaritinga do Norte, no interior de Pernambuco, as irmãs desde cedo aprendem o ofício da costura, o que as torna as principais costureiras da cidade, ao lado de sua tia. Ainda na infância as duas resolvem se aventurar no quintal de um vizinho e durante essa expedição, Luzia cai de uma árvore, fato quea deixa com um dos braços deformado. A partir daí a menina descobre que as pessoas podem ser muito cruéis atribuindo-lhe apelidos maldosos, então fecha-se sob a carapuça de uma jovem sisuda e de pouca conversa.
O maior desejo de Emília, jovem divertida e sonhadora, é sair do sertão em busca de uma vida melhor, e tem seu sonho alimentado mensalmente pelas revistas FonFon que consegue ter acesso na casa do coronel, para o qual trabalha ao lado da tia e da irmã. Luzia, agora constantemente chamada de Vitrola, ao contrário da irmã, já não sonha que possa se arranjar com alguém e muito menos deixar a cidade para trás, em vista de sua deficiência, tão criticada no lugar onde vive.
As jovens, apesar da pouca idade, sabem como se virar e já têm que lidar com o pouco dinheiro, e outros obstáculos comuns à região, como a seca, por exemplo. Embora a cidade de Taquaritinga pouco seja afetada por esse fenômeno natural, outro fator importante começa a preocupar os moradores: o grupo de cangaceiros liderados por Carcará. Precedido por uma fama de violência, o bando é respeitado e temido onde quer que vá. Em uma de suas paradas, dessa vez na cidade de nossas protagonistas, os cangaceiros encontram as costureiras e lhes mandam fazer roupas novas para todos os homens; ao fim da tarefa, no momento de sua partida, algo fora do comum acontece, Carcará recruta a jovem Luzia para o bando. Uns dizem que a moça foi levada, outros que esta resolveu fugir, e alguns alegam que após deflorá-la, o Carcará a mataria. Entre boatos, fofocas e especulações o livro vai ganhando uma narrativa dinâmica que intercala longos capítulos que narram em terceira pessoa, as vidas de Luzia e Emília separadamente.
Entre irmãs traz uma história fictícia, mas que carrega um grande embasamento histórico que mescla a invenção com fatos que realmente aconteceram. Em parte, no cangaço como um todo, sem localização específica, seguindo a nova vida de Luzia, e parte em Recife, com um vislumbre total de Emília, o livro é dinâmico e flui muito rápido, em contradição com seu tamanho que pode nos levar a crer que é uma leitura mais demorada. Toda a parte histórica é muito bem escrita por Frances, assim como o enredo geral que prendeu minha atenção desde a primeira página.

“[...] que a crueldade não podia ser contida. Não podia ser usada e, depois, jogada fora, como um par de alpercatas. Uma vez que se instalava, nunca mais ia embora. Ia crescendo dentro dela e dos homens, transformando-os em entorpecimento. Em indiferença. ”

Esse foi um daqueles livros que prendemos a respiração nos momentos de tensão e nos arranca lágrimas de emoção ao longo da leitura. Mesmo nas cenas que pediam mais romance, a autora conseguiu fazer com que não fosse bobo ou minimamente irreal.
A história, como o título sugere, gira em torno das irmãs e a ligação que passam a ter mesmo que na infância tivessem suas divergências. Os romances são tratados de forma muito importante, mas secundários se comparados às mudanças vividas por Luzia e Emília. As duas protagonistas são fortes, cada uma à sua maneira, e mesmo trilhando caminhos distintos, nunca deixam de lembrar uma da outra. Tudo isso contribuiu para uma ótima criação de personagens, principais ou secundários, que viviam realidades e tomavam decisões críveis mesmo que distantes de nós. Outras questões muito sérias foram levantadas pela autora, e que valeram pontos realmente altos para o livro.
Fui totalmente conquistada pela história escrita por Frances Peebles, e não deixo de dizer a todos que queiram conhecer mais desse enredo inteligente e bem feito, que Entre irmãs tornou-se um dos meus livros preferidos, e com certeza, um dos melhores que já li.

“Portanto, a morte, com todos os seus ritos e rituais, seus incensos e suas orações, suas longas missas e suas redes funerárias brancas, era coisa comum, ao passo que a vida era rara. A vida era assustadora. ”




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