Título: Um tom mais escuro de magiaVol.1
Autor: V.E. Schwab
Editora: Record
Ano: 2017
N° de Páginas: 418
Skoob: Adicione
Cortesia: Livro cedido pela editora.

SinopseKell é um dos últimos Viajantes — magos com uma habilidade rara e cobiçada de viajar entre universos paralelos conectados por uma cidade mágica. Existe a Londres Cinza, suja e enfadonha, sem magia alguma e com um rei louco — George III. A Londres Vermelha, onde vida e magia são reverenciadas, e onde Kell foi criado ao lado de Rhy Maresh, o boêmio herdeiro de um império próspero. A Londres Branca: um lugar onde se luta para controlar a magia, e onde a magia reage, drenando a cidade até os ossos. E era uma vez... a Londres Negra. Mas ninguém mais fala sobre ela. Oficialmente, Kell é o Viajante Vermelho, embaixador do império Maresh, encarregado das correspondências mensais entre a realeza de cada Londres. Extra-oficialmente, Kell é um contrabandista, atendendo pessoas dispostas a pagar por mínimos vislumbres de um mundo que nunca verão. É um hobby desafiador com consequências perigosas que Kell agora conhecerá de perto. Fugindo para a Londres Cinza, Kell esbarra com Delilah Bard, uma ladra com grandes aspirações. Primeiro ela o assalta, depois o salva de um inimigo mortal e finalmente obriga Kell a levá-la para outro mundo a fim de experimentar uma aventura de verdade. Magia perigosa está à solta e a traição espreita em cada esquina. Para salvar todos os mundos, Kell e Lila primeiro precisam permanecer vivos.


“A vida que as pessoas tinham dentro de si equivalia a uma singela luz de velas, não ao fogo a que a escuridão estava acostumada.” p.255

Um tom mais escuro de magia é uma fantasia divertida, viciante e intrigante que nos leva a um espectro de quatro Londres distintas que tem relações hierárquicas com a magia.
Kell é um antari, ou seja, uma pessoa que tem a magia em seu sangue, com esse poder pode viajar em mundos mágicos através de um ponto, no caso, as Londres. Ele é o representante oficial da realeza da Londres Vermelha, na qual foi criado como filho – para ele como um animal doméstico – juntamente com Rhy Maresh, o herdeiro da coroa e boêmio por natureza.
Por ser um antari, ele sempre é reverenciado por onde passa e seus poderes são cobiçados por todos, principalmente na Londres Branca que não consegue de forma alguma controlar a magia que domina até os ossos dos cidadãos e é governada pelos irmãos Astrid e Athos. A Londres Cinza é sem vida e é controlada pelo rei louco George III. A Londres Preta... bem ela fora isolada das outras depois que os moradores ali perderam o controle sobre a magia e a mesma condenou o local a destruição.
O jovem viajante tem uma extraoficial que ninguém pode saber, porque a punição seria severa e irrevogável, mesmo ele sendo da realeza vermelha. Kell trabalha como contrabandista. Ele não precisa de dinheiro e nem nada. Isso ele sabe e seu irmão Rhy constantemente enfatiza depois que descobriu o “hobby” do irmão. Mesmo sendo repreendido ele levava coisas mágicas para os colecionadores ou os curiosos de plantão e em contrapartida, ganhava alguma bugiganga que ele escondia num quartinho que alugara na Londres Vermelha.
Em um dia qualquer de sua travessia rotineira entre a Londres Cinza e a Vermelha, Kell é abordado por uma mulher de capuz que pede para ele leve uma lembrança sua- vinda da Londres Preta – para a Londres Vermelha. O jovem antari não aceita, mas a insistência da mulher acaba o convencendo e acaba cedendo. Ele sentia que algo estava errado com aquele pacote. Quando ele colocou o presente que a mulher lhe ofereceu como recompensa e colocou em casaco – que tem vários versos -  ele sentiu algo poderoso e maligno ali, porém tomado pelo excesso de álcool não lhe ocorreu em devolver o objeto.
Quando Kell decide entregar aquela encomenda no endereço que a jovem lhe dissera seu coração se encontra com seu pior pesadelo: A Londres Preta. O objeto em poço nada mais é do que uma pedra com magia elementar que consegue fazer qualquer coisa. Ele estava numa armadilha e brevemente sua cabeça estaria a prêmio quando descobrissem que ele era um “traidor” – mesmo sendo uma cilada – e não bastando isso, ele é surpreendido por perseguidores que o seguiam pelo feitiço de rastreamento na pedra. Começa aí uma perseguição desenfreada contra o antari.


“-Que bom – disse ela. – Aqueles que pensam que estão prontos sempre acabam mortos.” p.360

Os destinos de Kell e Lila Bard – uma jovem ladra da Londres Branca – se cruzam quando ele está fugindo no mundo dela quase morto e a jovem lhe ajuda e rouba sua pedra.
Quem armou essa armadilha para Kell? Por que justamente ele? E quem ganharia com a prisão do antari? E quem seria Lila Bard além de uma batedora de carteiras? E por que aquela pedra da Londres selada parecia querer possui Kell?
Kell é um viajante mágico e extremamente poderoso. Sua raça está quase extinta e por isso todos o tratam com delicadeza e reverência. Ser um Antari não é genético, compra ou venda. A pessoa nasce daquela forma. Como se ganhasse na loteria. Ele e o antari da Londres Cinza eram os únicos viajantes mágicos existentes. A diferença era que Kell era do Bem e Holland era mandado pelos reis Astrid e Athos, porém o antari fora controlado por um feitiço de sangue poderoso após tentar conquistar o trono daquela Londres. Kell apenas queria ter uma vida tranquila, mas a Magia e Vida queriam outra coisa para ele.
Lara Bard é uma jovem de dezenove anos que mora sozinha e vive de raptar coisas valiosas dos mais ricos, porém ela faz isso vestida de homem respeitável e assim passa despercebida dos olhos atentos da polícia que procura o “batedor de carteira das sombras”. Ela mora num barco, até ser ataca pelo dono do mesmo e assim retornou para o bar do Barrow. Ele não era seu parente, mas cuidava dele sempre. Ela queria ser uma pirata, mas os acontecimentos recentes pareciam conspirar contra esse sonho. Todavia os planos do Destino eram outros.

“[...] porque ela sabia que não poderia simplesmente voltar a não saber, a não ver e a não imaginar.” p.164

Holland é um antari poderoso demais – até mais bem preparado do que Kell – que sempre fora independente e ambicioso, mas caiu nas garras dos reis da Londres Cinza e fora subjugado de forma horrenda e covarde e sua rebeldia contra os monarcas marcaram sua liberdade para sempre, mas o fogo juvenil e indomável ainda brilhava nos olhos do viajante.
A autora consegue fazer uma história com muitas reviravoltas que não deixam de modo algum o livro fica chato ou sem fluência. Aqui ela foca no uso da magia, ambição dos monarcas, bajuladorese corrupção que sustenta diversos representantes do povo. Ela não faz personagens para nos cativarem, mas para representarem os acontecimentos.
Diferente de Tolkien que focava O Senhor dos Anéis na jornada e no controle do anel e os personagens eram bem cativantes, porque expressavam abertamente suas posturas e tinham escolhas eloquentes diante com as exigências dos acontecimentos, aqui os personagens são forçados a participar das reviravoltas. Kell é um peão nas mãos de alguém argiloso e Lila entrou nessa enrascada pelo seu vício em roubar.

“Queria liberdade. Queria aventura. E não se importava de morrer por isso. Apenas desejou que morrer não doesse tanto.” p.382

O primeiro volume cumprira com suas promessas e me prendeu fortemente que estou ansiosa pela continuação dessa série e que traga mais perseguições e brigas pelo poder que esse início da jornada.
A capa é bem similar ao nosso jovem antari Kell e suas caminhadas pelas diferentes Londres. A fonte é confortável que combina com as folhas amareladas. A narração é em terceira pessoa. O livro é dividido em Quatorze partes.
Um tom mais escuro de magia é o início de uma saga fantástica que mostra os diferentes uso da magia como arma de controle e opressão sobre as pessoas.







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