Título: O Príncipe Corvo #1 – Série Príncipes
Autora: Elizabeth Hoyt
Editora: Record
 Ano: 2017      
N° de páginas: 350
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Cortesia: Livro cedido pela Editora

Sinopse: Ao descobrir que o conde de Swartingham visita um bordel para atender suas “necessidades masculinas”, Anna Wren decide satisfazer seus desejos femininos... com o conde como seu amante
Chega uma hora na vida de uma dama...
Anna Wren está tendo um dia difícil. Depois de quase ser atropelada por um cavaleiro arrogante, ela volta para casa e descobre que as finanças da família, que não iam bem desde a morte do marido, estão em situação difícil.
Em que ela deve fazer o inimaginável...
O conde de Swartingham não sabe o que fazer depois que dois secretários vão embora na calada da noite. Edward de Raaf precisa de alguém que consiga lidar com seu mau humor e comportamento rude.
E encontrar um emprego.                                         
Quando Anna começa a trabalhar para o conde, parece que ambos resolveram seus problemas. Então ela descobre que ele planeja visitar o mais famoso bordel em Londres para atender a suas necessidades “masculinas”. Ora! Anna fica furiosa — e decide satisfazer seus desejos femininos… com o conde como seu desavisado amante.


O Príncipe Corvo é o princípio de uma trilogia de romances fortes com personagens tempestivos, cativantes e arrasadoramente inesquecíveis.
A jovem viúva Anna Wren não sabe como melhorar as finanças de sua casa após a morte precoce de seu marido, Peter há quase seis anos. Ela juntamente com sua sogra – moram juntas – trabalha com tecidos para ter um meio de sobreviver, mas a quantidade é insuficiente para manter as finanças e por isso mesmo em meio a um dia que se iniciou de forma péssima, porque quase fora morta pela carruagem de um homem nobre e arrogante que exalava sua riqueza pelas palavras, Anna tenta encontrar um serviço para ganhar algo a mais para seu sustento.
O conde de Swartingham é um homem marcado pelas várias perdas em sua vida. Ele retorna a Abadia de Ravenhill, em Little Battleford para encarar os fantasmas que assombram seu presente. Ele perdera sua família ainda criança. Todos foram acometidos pela varíola e ele só não fora ceifado por mistérios divinos, porém a doença deixara marcas físicas em seu rosto que deixavam as pessoas com repulsa de sua presença e isso o tornara em um homem inapto para relações sociais e dono de uma falta de paciência exímia e um mau humor cotidiano que assustava todos seus secretários e apenas o pobre Sr.Hopple conseguia lidar.

“Talvez nunca fosse possível compreender a diferença entre a paixão de um homem à noite e a expressão civilizada que ele usava durante o dia.” (Pág.178)

O Sr.Hopple tinha a difícil empreitada em arranjar um novo secretário para o conde e isso se tornava mais complicado com a exigência da façanha ser cumprida ao por do sol do dia seguinte, todavia o Destino estava atento para isso e ajudaria nessa missão para cruzar os caminhos de Anna e o conde.
 Anna esbarra com o jovem serviçal do conde e descobre que uma vaga está aberta e se oferece para arcar com essa responsabilidade que seria uma oportunidade maravilhosa para melhorar as finanças de sua família. Ela não sabia que o homem que iria trabalhar simplesmente – ironicamente – era o mesmo que destilava seu mau humor e arrogância dias antes no seu quase atropelamento.
Dias se passam e o trabalho da srta. Wren se faz de forma eficiente em transcrever os manuscritos do conde para letras legíveis para seus remetentes, mas sua curiosidade se acentua cada dia mais pela ausência do seu patrão que viajará para Londres – para noivar, ela não sabia – e quando ele chega, seus olhares se encontram e a raíz da paixão é semeada em seus corações mesmo que seu primeiro contato tenha sido desagradável e inadequado.
Só o que Destino cruzara seus caminhos não para a união de dois amantes, mas para a junção mais forte e poderosa para os seres humanos: a união de almas, porém que para isso o passado de ambos teria que vencer mentiras, chantagens e a revelação dolorosa de segredos que farão lágrimas escondidas há anos escorrerem como uma represa cheia.
Será que o Destino teria feito apenas mais uma armadilha para fazer Anna e Edward sofrerem novamente? Será que pessoas de classes tão distantes conseguiriam vencer as convenções sociais? E quais seriam os segredos que ambas escondiam?
O Príncipe Corvo fora uma grata surpresa para mim, porque os romances de época tem uma tendência natural aos clichês e acho bem fascinante quando as autoras buscam novas roupagens para os passados e personalidades de seus personagens, porque Anna é uma viúva e isso é bem diferente da maioria das obras desse gênero que trazem mocinhas ingênuas e virgens. Ela já é uma mulher vivida, porém marcada pelo casamento desastroso e vergonhoso que teve.


Anna Wren é uma mulher inabalável em suas decisões. É racional, mas sabe ouvir seu coração com maestria e cede aos sentimentos depois de muita reflexão. Ela viera de longos seis anos após a morte de seu marido. Seu casamento não fora feliz, porque nunca conseguira engravidar e isso ocasionou uma ruína matrimonial escandalosa para ela e quando seu coração parece novamente acordar ao se deparar com seu patrão, ela sente que está diante sua ruína.

“- Entendo. – Ele pagava pelos pecados de outro homem.” (Pág.285)

Edward de Raaf, Conde de Swartingham é um homem que carrega uma responsabilidade pesada e dolorosa. O último de sua linhagem tem como fardo se casar para procriar, já que seu primeiro casamento fora um fracasso doloroso que abalou sua estrutura emocional. Dono de uma petulância e mau humor característico, não sabe esperar nada e ninguém e não atura rebeldia e ineficiência e por isso sente-se profundamente atraído pela sua nova secretária que parece não temer o seu lado “Ogro” e o confronta constantemente.

“Como era empolgante falar o que pensava sem se importar com a opinião de um homem.”(Pág.73)

O romance entre eles não é forçado e o ponto vai para a autora, porque ambos são maduros e ponderam suas atitudes. Eles têm suas necessidades emocionais e físicas e atração entre eles é clara, mas nada disso é usado como desculpa para aqueles contatos sexuais sem propósito e até porque Anna é uma dama e mulheres honradas não iam a bordéis para satisfazer suas necessidades sexuais e elucido aqui que Elizabeth Hoyt criticou fervorosamente a concepção errônea – e ainda usou – de que mulheres apenas servem para o bel prazer masculinas e procriação. Na Idade Média não se levava em conta que o gênero feminino tinha seus desejos, fantasias e iniciativa sexual. Isso era remetido as prostitutas e por isso mulheres da alta sociedade se fantasiavam e pagavam para se satisfazerem de forma anônima em prostíbulos de luxo.
O livro tem um toque sensual em diversas partes que deixam o amor de Anna e Edward algo mais palpável e cativante. Várias vezes chorei com o sofrimento de ambos, porque nós somos frutos dos sofrimentos e superações que tivemos na nossa caminhada. Muitas vezes é mais doloroso seguir em frente do que ficar sozinho com nossas dores.
Há personagens bem marcantes como assistente do conde, Sr.Hopple que é bem atrapalhado, mas adora seu chefe. A sogra da Srta.Wren, a Sra.Wren que é doce, forte, sensível e adorável com sua ex - nora- que considera como filha – e que diariamente estimula sua amada “filha” com suas palavras sábias e claro que não posso esquecer-me dos amigos do conde: Harry e Simon que aparecerão nos próximos volumes.
O livro é narrado em uma visão mesclada de Anna e Edward, mas com narrativa em terceira pessoa que permite uma visão geral dos fatos, todavia se aprofunda nos sentimentos dos personagens de forma eficiente. Os vinte e dois capítulos foram devorados em apenas um dia e combinam muito com essa capa que remete as obras do século XVIII e XIX. A fonte é agradável e cada começo de capítulo tem um trecho do livro escrito pela irmã do conde, intitulado de O Príncipe Corvo.

“[...] nosso interior é mais importante que nossa casca.” (Pág.49)

O Príncipe Corvo é um arremate de emoções misturadas com um romance maduro e sensual que hipnotiza os leitores com um casal improvável e peculiar.




Um Comentário

  1. Thanks for the share, great read. Thanks for the posts, keep up the posts.
    Scarlett

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